20 de junho de 2007

Sabia sempre como chamar por ti.
Às vezes, respondias
e imaginava-te a saudade à flor dos olhos
(e uma alegria secreta por regressares na minha voz ).
Outras, deixavas-te estar com o silêncio,
o coração preso,
emaranhado em ausências,
as mãos longe,
ao sol da memória.

16 de abril de 2007

A certeza das palavras por dentro
Da surdez de todas as mãos
Atravessas a rua sem vontade
Ou a pele
A noite sempre por chegar
A melodia breve
Que as palavras não sabem
E que querias esquecer
A dor inteira

9 de abril de 2007

queria ser o mundo inteiro nos teus olhos
ou talvez os teus olhos
mas bastam-me as palavras
em vez da vida
bastam-me as mãos
na carícia do poema
a casa aonde regresso contigo
sob o mesmo luar

20 de março de 2007

normalmente são coisas simples
como a luz de certas vogais da tua voz
no meu nome
ou o desejo escondido de sol
ou o que era antes a fingir de agora
de nunca
talvez os olhos roubados à chegada
ou o tempo solto nas palavras
talvez a lua sempre fora de nós

29 de dezembro de 2005

Promete-me que as tuas palavras chegarão em silêncio
Que serão da matéria da noite
Promete-me palavras de ar, de saliva ou de sangue
Inteiras e nuas como a alma
Derramadas na pele como luz ou música
Palavras que possa guardar em mim
Como uma memória ou um filho

27 de dezembro de 2005

Desvia os olhos da clareza cortante do que nunca será,
da estridência do sempre por dizer.
Desce depressa todos os degraus.
Abre qualquer porta.
Sai de ti.