8 de Novembro de 2009

finges que me ouves
finjo que me ouves
sabemos que por mais palavras
que te pouse no peito
nada te limpará o coração

8 de Setembro de 2009

atrás dos dos dias há outros dias
os que nunca chegaram
os que julgamos perdidos
os que rasgam a memória
e destroem o presente
como sismos
os que pousam na vida
sem se ver
partículas de nada
os que vivemos por dentro
actores mudos
desajeitados
do que nunca é

2 de Setembro de 2009

falavas na solidão que nos veste e eu
como quem se despe de si
expliquei-te
ou sorri-te
que a vida é assim mesmo
que não devemos pensar nisso
a vida é assim mesmo
devemos ficar à tona de nós
deixar que o vento nos seque o rosto
e que a alma adormeça devagar

não devemos pensar nisso

20 de Agosto de 2009

os olhos esperam qualquer cor
a forma da memória
o fogo posto do tempo
a hora em que os pássaros recolhem a voz e a noite
o clarão súbito do riso
o último voo

22 de Dezembro de 2008

http://el-vaporcito.blogspot.com/2008/12/fado-de-embalar-para-guadalupe.html

28 de Novembro de 2008

E se matei a minha sombra algumas vezes
E desviei os olhos do sangue e do silêncio,
É porque vivo, como sabes, entre estes dois gritos,
É porque vivo, como sabes, perto de mim.

2 de Agosto de 2008

Podes resistir ao silêncio
E esvaziar a alma noutra alma
Passar por todas as ruas de ti
Sem deixar cair a esperança das mãos

Podes tocar todas as notas de quem te sentes
E criar uma melodia um barco um dia claro

Mas de nada serve