15 de novembro de 2005

Sorris com a minha boca -
e imagino que saibas
que, nos teus olhos,
o meu olhar se demora
a ver-me sorrir-te.

21 de outubro de 2005

Havia vento nos versos,
Isto é, na pele.
E o rumor frio do mar -
Talvez o murmúrio dos teus passos,
Ou só a sombra de velas.
Talvez entardecesse numa página.

Havia o murmúrio da pele,
Ou só o rumor frio da página,
Isto é, do mar.
Talvez, a sombra dos teus passos - de velas.
Talvez entardecesse nos versos
E no vento.

Havia a sombra fria do mar
E o rumor dos versos, do vento,
Isto é, de velas.
Talvez o murmúrio da página-
Ou só da pele.
Talvez entardecesse nos teus passos.
Já podes guardar os olhos, arrumar as mãos na gaveta do colo. Desfaz pela última vez o que teceste, e fecha a alma sob o linho sem vincos de ti.

2 de outubro de 2005

Há-de haver em ti restos de um abrigo,
A sombra do lume,
Uma melodia em ruínas.
E uma palavra inteira,
Nascida agora,
Ainda suja de sangue.

1 de outubro de 2005

via-me por ti
e agora sou eu
não a que entrevia
não a que entrevias
agora sou eu
sem reflexo
agora sou só eu

29 de setembro de 2005

Nunca atiraste uma pedra, uma palavra. Talvez saibas que nada quebra esta espessura de cristal. Nada estilhaça o abandono.