2 de setembro de 2009

falavas na solidão que nos veste e eu
como quem se despe de si
expliquei-te
ou sorri-te
que a vida é assim mesmo
que não devemos pensar nisso
a vida é assim mesmo
devemos ficar à tona de nós
deixar que o vento nos seque o rosto
e que a alma adormeça devagar

não devemos pensar nisso

20 de agosto de 2009

os olhos esperam qualquer cor
a forma da memória
o fogo posto do tempo
a hora em que os pássaros recolhem a voz e a noite
o clarão súbito do riso
o último voo

28 de novembro de 2008

E se matei a minha sombra algumas vezes
E desviei os olhos do sangue e do silêncio,
É porque vivo, como sabes, entre estes dois gritos,
É porque vivo, como sabes, perto de mim.

2 de agosto de 2008

Podes resistir ao silêncio
E esvaziar a alma noutra alma
Passar por todas as ruas de ti
Sem deixar cair a esperança das mãos

Podes tocar todas as notas de quem te sentes
E criar uma melodia um barco um dia claro

Mas de nada serve

16 de maio de 2008

às vezes sou-te tanto
que não sei se sinto
se sou o que sentes
não sei se as palavras são minhas
ou se o que dizes tem o som de mim