24 de abril de 2008

e de resto a certeza acende sempre o seu lume
e todos os sonhos morrem na fragilidade da sombra
memórias que pulsam mal anoitece
feridas submersas
ramos penas
teimosias

20 de abril de 2008

Explica-me como me levo em mim
Como teço as horas e desfaço os dias
Como toco o céu sem morrer
Ou faço de mim um rio claro
Sem limos sem voz sem fundo
Como lavo as marcas do que nunca foi
Como apago os olhos
Como apago os olhos

8 de fevereiro de 2008

Quando cheguei
Encontrei as palavras fechadas
E nenhuma chave sob a memória
Mas sentei-me à porta do poema
Mesmo sabendo que não regressas
E que já não moro aqui

27 de outubro de 2007

Sei que, um dia,
De repente,
A vida.
Talvez um sorriso.
De repente, eu sei,
De repente, olho-me
E sou eu outra vez.
Um orvalho súbito
E (tenho a certeza)
Reverdeço.
Uma folha nova
Há-de crescer-me do coração.
E os olhos, como é evidente,
Irão florir.

24 de setembro de 2007

haverá sempre outro nome sob o meu
mesmo que atravesse a voz
ou o amor
cautelosamente
num número impecável

haverá sempre outro nome dentro deste
um nome mais fundo
que as águas mostram
ao menor movimento

20 de setembro de 2007

espera-me onde tudo ficou por dizer
nessa casa de mágoa
entre árvores
no meio da solidão
num jardim de Outubro
perto do fim

espera-me num poema
em qualquer poema
num verso branco
defronte de ti
junto da última palavra